Furacão

Ele apareceu como aparecem todos os furacões, em uma conjunção de pressão, temperatura e movimento dos ventos.
Coloquei o nome de Ana Lucia. Nunca entendi por que furacões são batizados, nem como e nem por que usam nome de mulher.
Quis me levar por várias vezes, mas me agarrei a tudo que era sólido e real. Quando eu achava que tinha ido embora, ele reaparecia e quase me levava. Na verdade, eu queria ir, voar, perder-me.
Mas eu sempre o via preso às nuvens e ao solo e dizia: “Não irá me levar a lugar algum a não ser ao meu fim.”
Relutei e lutei.
Um dia ele se foi.
Nesse dia a falta das turbulências que ele causava bateu forte.
Nesse dia, aluguei um veleiro e fui procurá-lo. Se o acharei, não sei. Mas cá estou no barco rumo ao nowhere de alhures.

Terça, 20 de setembro de 2011 às 09:28

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