Ontem recebi uma visita tua,

Ontem recebi uma visita tua,

Vinhas na forma do meu pai. Mas podre e deteriorado. Tuas mãos como raízes entraram nos meus braços, paralisando-os. A dor, pra quem como eu que conheceu várias definições delas, era indescritível.Gelavas minhas veias e o meu coração Enquanto sussurravas que algo grave iria me acontecer. Não sei se era terror ou a sugestão dele,Não despertava do pesadelo horrível,Enquanto a carne podre do meu pai se misturava a minha. A morte estava lá,

Não como sempre esteve, Dessa vez não tinha vindo mostrar-se e levar algo querido.

Ela, acompanhada do seu marido destino, sempre me mostrou horrores,

Que via mesmo não querendo enxergar.Os sons, os cheiros, os gritos. Mas nunca eram meus. Desta vez veio sozinha,E veio para mim,Na forma do cadáver do homem que mais amei. Não sei o que quer. Mas sei que vai voltar. Tenho medo do dia que a carne de um Otavio seja a mesma de outro. E que ela não volte mais.

Quarta, 21 de março de 2012 às 11:56

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