Despedida

Uma lágrima pra cada dedo desentrelaçado.
Um sonho acabado a cada adeus falado.
A dor a cada ângulo que nosso corpo vira.
O desespero a cada centímetro que afastam nossas costas.

Foi assim, segundo a segundo, que nos perdemos para tentar seguir nossos caminhos sozinhos.
Sem promessas de reencontros ou de esbarrões.
Com juras de nunca mais nos vermos
E certezas que no fim doeu pra caramba.

Por isso, rosa, guarda seus espinhos
Já machucaram demais seu nego
Que hoje volta a procurar a alegria
Em lugar algum.

Por isso, rosa, encolhe suas pétalas
Que cariciaram tanto esse nego
Que ele não sabe mais se a felicidade
Consegue ser mais suave.

Quinta, 26 de abril de 2012 às 17:39

Obituário

Deu no jornal:
Faleceu nesta cidade, o ilustríssimo João Ninguém. Ninguém deixa os filhos Maria, Antônio e José. Todos que conheciam Ninguém deixam suas condolências e pesares.
O corpo de Ninguém está sendo velado na capela de Lugar Algum e será enterrado em Qualquer Lugar.

Segunda, 9 de abril de 2012 às 21:10

Lápide

Nela se lia:

Aqui descansa meu corpo
Nascido na quarta-feira de cinzas de 1966
E repousou no Corpus-Christi de 203?
Morreu por precisão.
Morreu porque o corpo finda.
Morreu porque a alma tinha hora marcada com o infinito.
Segunda, 9 de abril de 2012 às 21:04