PÓS – ÉTICA a partir de Manuel Bandeira

Estou farto do intelectualismo descabido
Do intelectualismo virtual
Do intelectualismo demagogo com seus compartilhamentos, likes e manifestações de louvor.

Estou farto do intelectualismo que vai averiguar no Google os significados desconhecidos.

Abaixo aos puristas
Todas essas palavras, extrangeirismos inclusive.
Todos os bordões repetitivos dos compartilhamentos ocos.
Todas as pretensas rimas e sabedorias inumeráveis.

Estou de saco cheio do intelectualismo sedutor
Politizado
Minguado
Aidético
De todo o intelectualismo que valoriza tudo o que seja fora de si mesmo.

De resto não é intelectualismo
É vômito de imagens e palavras de outros,
como uma máquina a copiar cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agravar e desagravar as opiniões.

Quero antes o intelectualismo sem padrão
O intelectualismo sem sentido
O intelectualismo duro e cru dos ranzinzas originais
O intelectualismo ridículo dos que simplesmente dizem “Bom dia!”

Quinta, 15 de novembro de 2012 às 14:44

Narizes

Temo-los todos:
Compridos,
Tortos,
Empinados,
Largos,
Pequenos,
Aduncos,
Redondos,
Inchados,
Vermelhos ou sardentos.

Quero-os todos
Em toda sua diversidade.

Quero o nariz de Cleopatra,
O de Jimmy Durante.

O nariz de Einstein e o nariz de Obelix.

Quero o nariz de Dustin Hoffman
E o nariz inexistente de Voldemort

Quero sobretudo o Nariz de Gogol.
O nariz livre e de vontade própria.
Para que todos os narizes sejam livros,
Livres como as orelhas de um livro.

Terça, 13 de novembro de 2012 às 21:58