O amor através do espelho

Olhou por um instante para ela e acreditou ver um reflexo de si.
Pelo menos era assim que queria que fosse aquele instante.
Ela nunca conseguiu aceitá-lo.
Nem sequer enxergá-lo como de fato era.
Ela tinha sempre suas definições definitivas a respeito dele.
E sua intolerância.
Ela não queria aceitar o amor dele.
Não enxergava a presença.
Desprezava os sentimentos dele.
E ele aquiesceu, como aceitam os que se sentem responsáveis por erros que cometeram no passado, e jamais foram perdoados.
Não compartilhavam a mesma opinião sobre o amor. Como podia ele querer que ela fosse o espelho dele.
Na verdade talvez ela o fosse.
Como todo reflexo, um reverso do que reflete.
Um contrário ou uma contrariedade.
E ele pensou nas diversas definições de amor e escreveu:
“Amar é também saber-se o outro.
Querer tocar a alma do outro.
E se solidarizar.
Não há amor sem compaixão, generosidade, gratidão ou humildade.
Amar é também vestir a pele do outro e sentir seus calores, dores, coceiras e arrepios.
Amar é necessidade.
Por isso a amo.
Não da forma que mo impõe, mas da única forma que sei fazê-lo.”

Feliz Ano Novo

Eu quero desejar para você, Otavio Venturoli.
– Que o novo ano seja de muita paz. Cansado das turbulências do caminho.
– Que a sua saúde se aprume de vez. Não dê mais sinais de querer partir.
– Que não lhe falte emprego, trabalho nem dinheiro.
– Que todo amor que você tem seja correspondido, reconhecido e valorizado.
– Que a felicidade esteja presente em todos os seus dias.
– Que você esteja sempre perto de quem o ama de verdade.
– Que essas pessoas tenham um ano muito bom.
– Que a sua família, mãe, filha, irmãs, sobrinhos e quem mais vier recebam um ano sereno e feliz.
Feliz Ano Novo para você, Otavio e para todos os seus amigos.
Abraço e um beijo.

Parado

Eu sempre estarei parado em relação a mim mesmo.

Houve uma época em que eu viajava muito, sem me importar aonde dormir e o que comer.
Um dia, um amigo me perguntou por que não parava um pouco, por que viajava tanto.
Logo de cabeça me veio a cabeça a metáfora do tubarão, que não pode parar que morre.
Entretanto lhe respondi relativisticamente que partindo de que sendo eu o meu ponto de referência, não era eu que estava em movimento, mas o mundo.
E era o mundo que vinha até mim.

Nonsense da madrugada

Então o elemento virou para o delegado.
“O senhor tem fósforo???”
O delegado respondeu:
“Onde o senhor pensa que está para vir pedir fogo para mim. Ponha-se no seu lugar. E saiba que a tua batata tá assando.”
Eis que o meliante respondeu:
“Eu sei. Só estou esperando o plin do microondas para ver se ela já está pronta.”
“E o fogo, o senhor tem???”