Dores de partida

Como me dói ver seu cansaço
Você que acordava cedo pra cuidar da família.

Como me dói ver seu esquecimento
Você que eu via desenhar em qualquer pedaço de papel projetos de casas que sonhava construir.

Como me dói ver seu desequilibrar
Você que um dia me aguentou no colo.

Como me dói ouvir seus ais
Você que cantava tantas músicas que jamais esquecerei.

Como me dói sentir sua fúria
Você que com uma mão no cabelo do meu pai o acalmava.

Como dói ver você preocupada com tudo
Você que já fez tanto por tantos.

Saudades de não sentir essas dores.

Toda vez que essas músicas me vêm à cabeça é sempre sinal de que preciso partir.
Viajar para que eu reconstrua o que se quebrou.
Foram assim tantas vezes.
No entanto, o tempo, esse implacável senhor de tudo e de todos e que me tirou tanto, hoje tira de mim a possibilidade de sentir o gosto do pó da estrada nos olhos.

Incondicional

De repente,
Nenhum palavra de amor mais saiu de nossas bocas.
O fel e a espuma era mais fortes que o gosto de nossos beijos.

Sabe a dor?
Essa que nos infligimos por nos perdermos?
Essa que achei maior a minha,
E a sua, a maior de todas?

Sabe o amor?
Cuja condição foi tê-lo incondicionalmente?
Esse era o maior que tive (tenho),
E o seu, o mais triste do mundo?

Sabe a distância?
Fim de quem ama?
Que a minha foi de quilômetros
E a sua, a mais longe?

Querendo ou não
Nos perdemos nas condições da distância que nos colocamos.
E ainda olho para você
E você olha para mim
Ambos sonhando com a mesma coisa.