Prosa

Queria tanto aquela mulher que não hesitou um segundo sequer. No primeiro olhar distraído beijou-lhe com a sede dos náufragos.
Surpreendeu-se ao ser correspondido da mesma forma.

Bruto tal qual faminto, abarcou mais que a boca podia aguentar. Permitiu que suas mãos abocanhassem o restante do corpo. Querendo aprisioná-la.

Nenhum tom de cinza faria daquele momento mais intenso. Tudo era carmim, rosa e prosa.

A conversa dos corpos que se descreviam em curvas e dialogavam em dedos e toques. O discurso continuou sem perder a dialética dos movimentos que iam e vinham.
Das mãos e quadris, de boca e nuca.

Aos peitos dedicou o silêncio da boca ocupada. A língua do bruto falava curvas em montes ofegantes. Enquanto a boca da bela, se calava mordendo o lábio.

Perdeu-se na conversa para se achar no vale e nele a boca escorregou até a floresta.
Era mais uma boca a se pronunciar em um rio de calor.

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