Alguns lugares…

No bairro do Cambuci

Procuro as frutas por aqui. 
Na Lapa,
Não vejo a gruta escondida. 
Na Moóca,
Nenhum índio, casa deixou. 
No bairro da Penha 
Não encontro a falésia do francês.
No Tamanduatei e no Tatuapé,
Nenhum bicho passa por ali. 
E procurar Anhagá no vale não vai me salvar da saracura que ali descia para picar os olhos de Bartira. 

00:30

O vazio da meia-noite e meia trás 

Os bebados do boteco da esquina. 
Eles ocupam com barulho a solidão da minha cama. 
Mas neste quarto tudo é ascético demais.
Faltando o cheiro do calor de corpos que se esfregam. 
Faltando a cola que mina por entre as pernas. 
Faltando a água salobra do suor que as bocas percorrem. 
Falta vida aqui.

Da cura, a partir de música de Jorge Drexler

“As lágrimas vão ao céu

E volta aos seus olhos desde o mar.”
Talvez as dores não sejam só de amar
O corpo também adoece e volta a sarar. 
“O tempo se vai, se vai e não volta.”
O coração pode quebrar
O fígado apodrecer
Mas vão curar e voltar a doer. 
“Mesmo o quanto pulsem.”
E voltará a hospitais 
Emergências e laboratórios
“E ainda assim vai curar e tornar a quebrar.  
“Ninguém nasce sabendo 
Mas morrer também é lei,
Lei de vida.”