Linda, não?

deixa eu contar o que acontecerá;
vi acontecer várias vezes.

virá novamente o flerte descompromissado de alguém comprometido

A se dizer infeliz pois é muito sozinho.
E poemas e músicas, o farão sentir-se único.
e assim, você baixará a guarda.

neste instante se sentirá preenchido
mas verá quanta ausência o tempo lhe trará.

verá inseguro,
verá a necessidade de acreditar
e ao atravessar a vida
procurará uma mão que não encontrará…

perderia tempo em contar o que ouvirá,
das preocupações maiores com sentimento outrem,
o sentimento do compromisso que se desvencilha.

você, com medo, sonhará alegria, 

mas a alegria estará no poder de quem não se comprometeu,
não haverão contas, mas d(ú/í)vidas.

verá fugir da exposição,
esconder-se das fotos,
e lhe cobrará presença excluisva ainda que não sendo seu.

nesse anseio de afirmação amará,
você amará as palavras e sorrisos, plenos ou ocos.

dolorido, será o algoz e a vítima,
ou simulando uma autoafirmação que não existe.
seu ego minguará no amor não aceito.

quando tudo isso acontecer, ambos destruídos,
virá a maré de paz.
ainda que capenga lhe perdoará os descompromissos
e demandará um maior.

mas perceberá que o amor sonhado
era brinquedo ofertado
mimo alterado
uma lembrança de uma linda lua crescente
que irá embora na manhã seguinte.

Abandono


De um momento,
Uma existência desnecessária para os outros.
Largada ali
Recurso inútil,
Brinquedo esquecido,
Móvel velho.

Então recolhe
E olha
Não há outro lugar
a não ser para si.
Cheio de plantas ruderais, ratos, moscas, madeira e móveis velhos, cacos de garrafas de vidros.

Todos abandonados como o terreno baldio da sua existência. 

Inter(dito)

Tombado. 
          portas e janelas fechadas. 
          móveis cobertos. 
          água e luz desligados. 
Imóvel antigo 
Não cabe espaço maior
Só há posto para menos. 
Trancado o portão
Sair da casa 
Procurar quarta e sala
Em mim.