Cagada de passarim

“Braveza num esquenta assento aqui, não, siô! Ainda que nunca que esqueça um maltrato, fico bravo por muito tempo não! As veis inté carrego o peito pesado por algum tempo, mai como sô um palerma, a poeira baixa e as coisa vãossimbora.”

“U quê?”

“Ah! Tenho cá minhas mágoa, sim! A vida nos prega cada uma, tarquar uma cagada de passarim. Nunca que sabemo di onde que vem e quando que vem, mas quando vem suja tudo, né memo?”

“Quê?”

“Sô casado não. Tive casado por argum tempo, num deu certo. E ela si foi. A despois me amasiei com a mãe da minha pequena, mai num deu certo também não.”

“Sim, sô sozinho. Mai é mió levá a vida ansim que arranjá pioio pra catá.”

“Tem dessas coisa por aqui não. Essas coisa moderna de computadô num é pra mim não.”

“De nada, fique a vontade, tem café no fogão. E água na taia.”

“O siô mi dá licença qui vô até ali um cadinho e já vorto. Se tivé fome, tem pão na mesa e um pedaço de carne seca amarrado perto da porta.”

“Inté!”

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