Geomancia

Desce estelar pelo corpo. 
Uma a uma marca-se um ponto.
De dois em dois pontos traço uma reta
De duas em duas retas, planos de conquista. 
Tesão cartográfico escrito em pele. 
Começa em um sorriso 
Escorregando pelas bochechas 
Do pescoço encontra montes e um vale. 
Para confundir os meandros das suas curvas até se afogarem no sombreado redemoinho do seu sexo.  

Belezura

Era de uma falsa modéstia mastodôntica. Tinha pra si que ninguém era mais tímido que ela. Fechava-se em seu mundo-casa e nele, sozinha, era a melhor. 
Mas um dia abriu as janelas que tantos insistiam em bater. A luz a cegou e doeu na sua alma. Mas aos poucos conseguiu ouvir o que muitos já mostraram. 
Era linda. 

Auto de fé

Em pouco tempo, por paixão ou por carência, permitimos pessoas entrarem na nossa vida. Elas trazem coisa boas e ruins. Você as aceita ou não. 
Amar começa nesse momento. No momento da escolha, além do pesar o bom e o mal. Além do projetar do que pode acontecer com base nas experiências que tivemos. 
É permitir-se sonho, é tentar aceitar o diferente (tão igual da gente) no outro. É querer dividir somando. É buscar a completude nas semelhanças e o adendo nas diferenças. É um exercício de querer e ser querido, de não descartar o ruim do outro e valorar o bom no outro. 
O momento da descoberta do amor é divino e assustador. É assombro e maravilha.  
Este momento sublime e difícil que faz com que tomemos decisões para toda uma vida. 

descarte

um dia amor da vida
outro odio mortal

um dia não vive sem o outro
outro não quer te ver nunca mais

somos seres como seringas descartáveis repletos de resquícios de drogas.
usadas, reaproveitadas, até quando menos não convier, lixo… sarjeta.

afastar o bem amado na necessidade (de um ou do outro)
tornam-se fúteis companhias piores que bichons frisés que abanam rabos e dependem da gente pra comer.

amar é não virar as costas nas adversidades
e acompanhar é estar em companhia de…

por isso digo que hoje somos tão dispensáveis quanto o papel higiênico que usamos para limpar o nariz.
e ainda somos cobrados a estar do lado quando precisa…

“Alfredo, cadê o neve?”

E uma hora, Alfredo cansa de ser serviçal  e quererá ser servido.