Paca Tatu…

Tomo café pensando na rapidez com que bebo o líquido preto escaldante e não queimo a boca. Daí me recordo que sempre me espantava que meu pai fazia o mesmo. E eu sempre me perguntava como fazia, enquanto ele trocava o meu café com leite de copos buscando esfriar. 
Como uma coisa leva a outra, passa a bela (pero no mucho) moça na frente do boteco e todos os pescoços quebram por causa dela. 
Penso no meu pai novamente me ensinando daonde vinha a palavra paquerar. Que paquerar é o ato de caçar pacas. Sim o roedor. (Nota: esse verbo só existe em luso-tupi). 
O paqueiro (ou paquerador) buscava durante o dia a trilha que o animal deixava quando desentocava. Caçá-lo consistia em ficar parado com um saco na trilha enquanto outros saiam pelo mato espantando o bicho. Dizia meu pai que a paca sempre voltava pelo mesmo caminho e que era só esperar que ela entrava no saco desapercebido. Num entardecer dava pra pegar umas quatro se Curupira não atrapalhasse. Era a hora do retorno pra toca. Digo entardecer, pois as onças saem para “paquerar” durante a noite. E não é uma boa para uma paca dar bobeira por aí de noite. 
Acabo de mastigar meu pão de goma que de queijo não tinha nada, jogo o pedaço final no lixo. Acabo com o segundo copo de café pelando e parto para a faixa de insegurança na frente do meu prédio. Na cabeça, além da saudade do meu velho, uma frase chiclete insiste em repetir: paca, tatu, cotia, não. 

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