A um tio da Itália

“Sabe, como bom bolonhês, amo torres!” falou Renato para o amigo.
Apontando para o céu, ele comenta:
“Cada torre que construo, aponto o dedo para D’us e lembro a ele que existo.
Mas para isso, é preciso um esforço muito grande.
E no final de cada uma, recolher o que restou da autoestima.
Buscar o amor próprio.
E com isso construir novas estupas, minaretes e zigurates.
Assim mostrar que o amor é coisa da força humana. Não da fé. “

O Ano

Um tempo suficiente para se saber e ainda ter sérias dúvidas. Um tempo para conviver e ainda assim não ter uma vida juntos. Um tempo para se achar alguém e ainda se encontrar perdido. Um tempo para amar e ainda não saber-se amado. Um tempo para sonhar e ainda achar-se acordado. Um tempo para gestar e ainda assim abortar. Um tempo para construir e ainda ser demolido. Um tempo suficiente para o luto e ainda assim continuar de preto.