Seja

Jorge Drexler em uma estrofe da música Sea diz (e me perdoem a tradução tosca):
“O que tiver que ser, que seja 
E o que não, por algo será
Não creio na eternidade das brigas 
Nem nas receitas da felicidade.”
Chama-me sempre a atenção os dois últimos versos. 
De fato, não creio na eternidade das brigas, mas o que for, que seja. 
Mas as receitas de felicidades, essas não existem e não é só por uma questão de crença. E é o que tem que ser. 
Felicidade é um estado momentâneo de gozo pela satisfação alcançada e esse orgasmo não é obtido por fórmulas mágicas propostas por religiosos (castradores por definição), filósofos (castrados por essência) e psicólogos (eunucos castradores por profissão). 
Só os poetas, por serem densos e profundos, sabem o que é felicidade, pois a eles é permitido chegar no mais escuro da tristeza onde um pequeno facho de alegria acaba por constituir toda a felicidade do mundo, naquele instante. 
Por isso desconfio e tenho medo da patologia psicológica daqueles que buscam a felicidade e suas receitas a qualquer custo ou ao custo de qualquer ilusão. Essas pessoas levam promessas que nunca poderão cumprir e nelas envolvem as pessoas que sabem que a felicidade é transitória e efêmera e que se apaga ou escurece ao primeiro obstáculo que se impõe na sua frente, mas ainda assim sonham com ela, os poetas, sejam quem forem. 
“Y el que quiera creer que crea
Y el que no, su razón tendrá
Yo suelto mi canción en la ventolera
Y que la escuche quien la quiera escuchar
Ya esta en el aire girando mi moneda
Y que sea lo que
Sea”

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