Trigo da elite

Na cidade,
O esgoto dos ricos
A merda dos pobres
Os ratos
cagam no trigo da elite.
É o ciclo,
É o círculo,
É o circo da des)humanidade.
Nas praças,
A água
O vômito
O mijo
l(e)ava o humilhação do público  humano.
É o caminho,
É a cama,
É o crime da des)humanidade.
Nas ruas,
Os motores
As motos
Os monstros
atropelam nas encruzilhadas.
É o luxo
É o lixo
É a diarréia da des)humanidade.
Nas calçadas
Os moradores
As meninas
As mulheres
                    morrem no lixo da urbanidade.
É a sobra
É a sombra
É o desprezo da des)umanidade.
Nas quebradas
Queima
a pedra
o fogo
os pneus do microondas.
É a vida
É a morte
É o fim da humanidade.

Narizes

Temo-los todos:
Compridos,
Tortos,
Empinados,
Largos,
Pequenos,
Aduncos,
Redondos,
Inchados,
Vermelhos ou sardentos.

Quero-os todos
Em toda sua diversidade.

Quero o nariz de Cleopatra, O de Jimmy Durante.
O nariz de Einstein e o nariz de Obelix.

Quero o nariz de Dustin Hoffman
E o nariz inexistente de Voldemort

Quero sobretudo o Nariz de Gogol.
O nariz livre e de vontade própria.

Para que todos os narizes sejam livros,
Livres como as orelhas de um livro.