“…Urubù!”

urubuescorre
liquido verde vesicular,
desce pelas narinas e encontra na boca
o arroto azedo de um estar doente.

“não há nada demais com você além de uma virose
e o enjoo é normal em vista do seu quadro clínico!”
diz a medicina com seu olhar demente.

E o veneno que me mata aos poucos
Não mata os malditos vírus do meu corpo.

“Resistirò fino all’arrivo di Tex?”

Andrea Pazienza – Soto il cielo del Brasile

Adão

Não há gota de vida nesta agulha.
A sonda que procura a veia velha
Não pousa em correntes sãs.

A mostra rubra que suga
Não permite que expila
A água que salvará a argila

Não é costela,
O corpo sem sopro,
Nem descostelado,
O carvalho podre,
De um velho barril de amontilado.

É parca vida que resta
Mas o que sobra é minha

Lateralidades

Em cima é sempre no alto?
E o alto, é sempre em cima de mim?
Não sei se acredito nessa, não?
E se o alto estiver abaixo de mim e em cima do João?


Do meu lado tem o Mané
E eu, estou do lado dele
Desse jeito fica difícil
Saber quem está mais apertado


E gritou para todos:
Não acho direito o que não é certo.
Olharam para os lados,
Nem esquerda, nem direita se encontraram


No fundo é sempre em baixo.
Na verdade,
bem lá no fundo,
o fundo é o fim do mundo!