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Estudo para um samba
Decida você. De quem é a contradança. Você veio ao baile acompanhada mas insiste em me tirar pra dançar. Decida você. Pra onde vão seus pés. Quando quem esquenta eles está do seu lado. E você insiste em calçar minhas meias. Decida você. Pra onde vai esse seu amor. Que beija outra boca Mas insiste… Continue reading
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Estacionado
Enfiou a mão no bolso da calça jeans que acabara de tirar do armário. No fundo, em frangalhos, uma bola de papel lavada. Abriu e viu que era o bilhete do estacionamento da última vez que saiu com ela. A lembrança tomou sua alma e a saudades ocupou o pensamento… Continue reading
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Sorriso de canto de boca
Gustavo adorava encontrá-la com aquele sorriso. Era um sorriso tímido, quase infantil. O lado esquerdo da boca se levantava enquanto o outro se esforçava pra manter a compostura. A isso somava um olhar pra baixo que não encarava, mas quando encontrava os olhos de Gustavo, era de um brilho molhado que dizia: “Te quero.”Nesses encontros,… Continue reading
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Furacão
Ele apareceu como aparecem todos os furacões, em uma conjunção de pressão, temperatura e movimento dos ventos.Coloquei o nome de Ana Lucia. Nunca entendi por que furacões são batizados, nem como e nem por que usam nome de mulher.Quis me levar por várias vezes, mas me agarrei a tudo que era sólido e real. Quando… Continue reading
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A visita
Uma noite, Francisco sentado nos degraus da soleira da porta do casebre onde morava, pitava seu cigarro de palha que acabara de enrolar, sentia ainda o quentor do jantar na bariga quando recebeu a visita da Morte.Disse ele: “Noite!”Respondeu a Morte:”Boa noite, José Francisco!”Estranhando, olhou pra ela e perguntou: “Como vossamercê sabe meu nome se… Continue reading