As mãos da vida

Uma senhora negra de cabelos grisalhos presos em coque ao atravessar a rua de mão dada com seu neto, parou e olhou na direção em que vinha o carro.

O neto, de uns sete anos, aquela idade que fala tudo e não esconde nada, a advertiu de que ela tinha que ter olhado para os dois lados, que foi assim que ensinaram na escola.

A avó, depois de atravessados, disse que naquela rua não precisava pois era de mão única.

Eis que o menino, na altura da sabedoria de todas as molas da sua cabeça, disse com a mão na cintura:
“Vovó, a vida é que nem um polvo, tem muitas mãos. A gente nunca sabe por onde ela pode nos pegar!”

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